Torcida diferenciada

2
801

O corintiano diz que “só quem é sabe o que é” (expressão que virou título de filme que conta a saga na série B) para “mostrar” que tem um sentimento diferente do que sentem os outros torcedores por seus times. Os torcedores do Santa Cruz, atualmente enchendo os estádios na série D, argumentam que são a torcida mais apaixonada. Flamenguistas (e a mídia em geral) dizem que não há torcida que faça um show igual nas arquibancadas. Os dois lados do Rio Grande do Sul, tricolores e colorados, orgulham-se por um jeito “pampa” de torcer, algo próximo do que fazem os inchas, dos times argentinos enquanto torcedores do Galo mineiro defendem pra si a maior paixão e por aí vai…

Lamento dizer, mas tudo isso é uma grande bobagem. Contextos, tradições e culturas diferentes existem, óbvio, gerando comportamentos diferentes, mas paixão é paixão e os torcedores do pequeno Comercial de Ribeirão Preto e do gigante Barcelona, amam da mesma forma seus times. A tentativa de colar determinados rótulos em seus times, faz parte da brincadeira, claro, mas não se sustenta sob um olhar minimamente racional. Claro que gostamos de achar que nosso time é o da virada, o mais raçudo ou qualquer outra característica que nos tire do lugar comum. No entanto é um outro fator, triste fator, que une todas as torcidas: a imbecilidade.

Neste domingo, Ricardo Gomes, ex-zagueiro da seleção e atual técnico do Vasco, sofreu um AVC durante o clássico contra o Flamengo, pela última rodada do Brasileirão 2011. E foi aí que parte da torcida do Flamengo fez algo deprimente: entoou coros dignos de urubus sobrevoando carniça. Não vale a pena citar os tais “cânticos”(?) aqui, mas cabe esclarecer que eu também sei que isso não é exclusividade dos rubro-negros. Certamente em todos os times há urubus desse tipo, que não sabem diferenciar rivalidade de guerra, que não conseguem discernir tiração de sarro de falta de humanidade…

A proposta do blog é falar de futebol e arte, das interações do futebol com as várias linguagens artísticas e assunto mais divertido, e importante, não faltaria hoje. A vitória de virada do meu time sobre o maior rival, a conquista do título simbólico do turno por esse rival, o acerto dos clássicos regionais na rodada final do turno, vários golaços, certos dribles de Neymar

Nessa hora, com vergonha, dá pra perceber que talvez não sejamos assim tão diferentes de Ricardo Teixeira e que não adianta protestar só pra entrar na onda. Tudo faz parte de um pacote. Quem é contra corrupção e a favor do futebol, também tem que ser a favor da vida e da civilidade. Este blog está na torcida pela recuperação de Ricardo Gomes.

COMPARTILHAR
Post anteriorFormação do Futebol em São Paulo
Próximo postComercial – Uma paixão centenária
Ricardo Roca
Formado em Comunicação Social e pós-graduado em Administração de Empresas, ambos os cursos pela ESPM, atualmente cursando mestrado em Linguística. Professor universitário, sócio da Roda Fiandeira, consultor nas áreas de comunicação e marketing e apaixonado por futebol e arte.

2 COMENTÁRIOS

    • Oi Rodrigo, ontem em alguma rádio, eu também havia escutado que ele tinha tido um AVE, mas hoje, o jornal Lance! traz que ele teve um AVC. Depois no texto eles dizem que são acidentes semelhantes.

      De qualquer forma, apesar de não ter tido especial admiração durante sua carreira de jogador, estou na torcida por sua recuperação.

      Obrigado! Um abraço,
      Roca

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.