Kleber, Tévez, Juninho Pernambucano, Marcos e eu

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Quanto vale um jogo de futebol? As cifras e os números relacionados aos eventos, direitos de transmissão, transferências dos jogadores, salários de técnicos e jogadores, venda de camisas, audiência, construção dos estádios etc. etc. etc. crescem de forma exponencial. As opiniões são divergentes em relação a, por exemplo, os altos salários dos craques do primeiro escalão; enquanto alguns apóiam, outros criticam o que seria um excesso. O mercado acaba por regular essas coisas, sempre considerando a “esperteza” maior ou menor de alguns jogadores e empresários.

Alguns casos recentes podem nos ajudar a refletir sobre isso.

Kleber, do Palmeiras, tem um salário alto para os nossos padrões e, até mesmo, para jogadores de futebol no Brasil. Recentemente ele descobriu que alguns de seus colegas, com menor produtividade que ele, tem salários ainda maiores. Há algumas semanas recebeu assédio do Flamengo, que acenava com uma transferência e rendimentos bem acima do atual. Houve uma grande confusão, especulações da mídia, briga com a diretoria e, por fim, acabou ficando onde estava, na expectativa de um aumento de salário.

Tévez, argentino que joga no Manchester City, ganha ainda mais que Kleber, na casa dos sete dígitos mensais. Pois o Corinthians não se intimidou com isso e fez uma proposta milionária para repatriá-lo. Nesse caso, a discussão foi a respeito da conveniência de trazer um jogador ganhando bem acima dos colegas, para um time que lidera o campeonato e parece tranqüilo e em paz. Além disso, claro que questionamentos de ordem social também ocorreram. Com uma população que ganha, em sua maioria, um salário mínimo, como explicar alguém ganhando milhões por mês? O que nos leva ao terceiro caso.

Juninho Pernambucano destacou-se no Vasco, em seu início de carreira. Foi brilhar na Europa e voltou para seu clube do coração. Sua exigência foi receber um salário mínimo. Isso mesmo, ele recebe R$ 545,00 mensais, além de prêmios por metas atingidas. Nesse caso quase não houve polêmica, mas alguns ainda criticaram o que seria hipocrisia de sua parte.

Agora um último caso, de alguém que não é craque, mas que queria muito ter sido. Me lembro nitidamente de quanto tinha oito anos e, ainda encantado com a Copa de 78, a primeira que acompanhei de verdade, fui perguntar ao meu pai se era muito caro para jogar em algum time. Minha empolgação naquela época era pelo Jorge Mendonça, craque do meu Palmeiras e por Zico, um dos maiores craques que já vi atuar. Lembro também do meu espanto quando meu pai riu e disse que não era necessário pagar. Imediatamente perguntei “…então como funciona isso”? e, hoje sorrio ao pensar na cara que fiz quando ele me disse que os jogadores recebiam um salário para jogar, como em outra profissão qualquer. Para ter certeza de que tinha entendido corretamente, repeti mais de uma vez a pergunta: “eles jogam futebol e ainda recebem um dinheiro para fazer isso”?

Isso tudo não é para defender este ou aquele comportamento. A proposta aqui não é definir o que é “certo” e “errado”. Penso que os três, e todos os outros, estão lutando e se esforçando, dentro e fora de campo, para verem valorizados seus esforços e talentos e para garantir um futuro mais tranqüilo para seus familiares. Cada um conduz as coisas como acha melhor. Pessoalmente, agiria como São Marcos, que nunca precisou brigar para ganhar o que merecia, já que “sempre” ganhou mais que o necessário, para uma vida digna e confortável.

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Ricardo Roca
Formado em Comunicação Social e pós-graduado em Administração de Empresas, ambos os cursos pela ESPM, atualmente cursando mestrado em Linguística. Professor universitário, sócio da Roda Fiandeira, consultor nas áreas de comunicação e marketing e apaixonado por futebol e arte.

2 COMENTÁRIOS

  1. Concordo Ricardo. O problema é que o futebol como negócio extrapola a realidade. Jogadores, técnicos e dirigentes acham que um jogador de alto nível não pode ganhar, por exemplo, R$ 100 mil por mês. Tem qua ganhar mais. Nas outras profissões, grandes executivos, artistas e até mesmo técnicos, como engenheiros,médicos etc. não chegam a ganhar isso por mês. Fica a pergunta: No que você gastaria seus ordenado de R$ 100 mil reais durante 1 mês? Olha, mesmo gastando, fazendo churrasco ou festa todo fim de semana fica difícl torrar a metade, que dirá os R$ 100 mil…E os jogadores ainda reclamam…Abs

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