A fogueteira do Maracanã

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Eliminatórias da Copa de 90, jogo decisivo para a seleção brasileira no Maracanã contra o Chile. Todo mundo precisando ganhar pra se classificar para a Copa do Mundo (vale lembrar que o Brasil nunca ficou fora de uma), o jogo era tenso. Ganhávamos por 1 x 0 quando, aos 24 minutos do segundo tempo, um rojão cai perto do chileno Rojas, goleiro do time. Por uma grande coincidência, o goleiro e o zagueiro Astengo já tinham tramado uma forma de pedir o cancelamento da partida alegando falta de segurança. Rojas levava uma lâmina dentro de suas luvas e esperava apenas uma situação para usá-la. O estouro do rojão era a deixa que ele precisava para cortar seu supercílio e simular que tinha sido atingido. Com o rosto ensanguentado, o time do Chile se retirou do campo, o jogo foi suspenso e muita gente (inclusive eu) achou que a vaca tinha ido pro brejo de vez… Não foi difícil descobrir a farsa, já que qualquer médico veria que não havia sinais de pólvora e que o corte havia sido feito por uma lâmina. O Chile foi suspenso de jogos internacionais por cinco longos anos e Rojas foi banido do futebol. Anistiado pela FIFA em 2001, acabou tendo uma passagem como treinador de goleiros do São Paulo, chegando até mesmo a atuar como técnico do time em uma boa campanha que levou o tricolor à Libertadores do ano seguinte.

No meio de tudo isso, foi descoberta a identidade da pessoa que soltou o sinalizador, o rojão: Rosenery Mello. A história muitas vezes é irônica e Rose, logo em seguida, acabou nas página da Playboy, para ter seus “15 minutos de fama”, como previra Andy Warhol, maior ícone do movimento pop art. Essa semana Rose faleceu, aos 45 anos, de aneurisma cerebral.

Um jogo, várias histórias, vidas modificadas… Por tudo isso é que dá pra dizer que a gente sabe como um jogo começa, mas NUNCA sabe como termina.

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Ricardo Roca
Formado em Comunicação Social e pós-graduado em Administração de Empresas, ambos os cursos pela ESPM, atualmente cursando mestrado em Linguística. Professor universitário, sócio da Roda Fiandeira, consultor nas áreas de comunicação e marketing e apaixonado por futebol e arte.

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