Roubado é mais gostoso

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Obviamente que a frase é apenas uma provocação; passei dessa fase no final da adolescência. Até então achava mesmo que era mais divertido ganhar de um rival e ainda que isso acontecesse de forma injusta. Algum tempo depois, jogos com (grandes) injustiças me fizeram repensar. De cara dá pra citar a final do Brasileiro entre Botafogo x Santos, em que o árbitro Márcio Rezende de Freitas apareceu mais que todos, validando um gol impedido do Botafogo e anulando alguns legítimos do Santos. Me pareceu injusto demais com quem trabalha muito para disputar (e conquistar) uma competição. Outro exemplo foi a semifinal de 96 envolvendo Corinthians e Portuguesa, cujo árbitro foi Javier Castrilli… e assim por diante.

Sou capaz de entender que um jogador, no calor da disputa, faça algo fora da regra: “cabeceie” com a mão por reflexo, reclame de falta do adversário mesmo “sabendo” que não foi nada, se aproveite de um impedimento que o árbitro deixou passar, enfim… mas a torcida comemorar por isso depois do jogo? De modo geral, talvez por inocência ou idealismo, sempre acredito que o árbitro apenas errou; que não houve a intenção de ajudar ou prejudicar esse ou aquele time.

Nas últimas semanas, ouvi muita gente boa dizendo que dá pra ficar orgulhoso por uma vitória nessas situações. Bem, é claro que vencer um rival é sempre muito gostoso. Também é claro que as pessoas são diferentes e se orgulham por coisas diferentes, mas… não consigo não! Será que o mérito maior não está em se mostrar “melhor” que o adversário dentro das regras do jogo?

Sei que parte importante do futebol está nas discussões, análises e entendimentos diversos, sei também que de nada adianta ser “Campeão Moral”, como o técnico Cláudio Coutinho nos proclamou na Copa de 78, na Argentina. De qualquer forma, sempre soube que ser coerente e digno tem um preço. Ainda prefiro comemorar o empenho do meu time e o talento dos craques de todos os times.

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Ricardo Roca
Formado em Comunicação Social e pós-graduado em Administração de Empresas, ambos os cursos pela ESPM, atualmente cursando mestrado em Linguística. Professor universitário, sócio da Roda Fiandeira, consultor nas áreas de comunicação e marketing e apaixonado por futebol e arte.

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