Meu jogo inesquecível

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Nesses anos todos, assisti a vários jogos vibrantes, importantes, bem jogados e decisivos, mas se eu tivesse que escolher apenas um, seria uma partida da Libertadores de 95. Certamente minha visão de torcedor contaminou minhas opiniões. Provavelmente ambos os lados erraram e acertaram, mas o que ficou cristalizado na minha memória foi uma coisa de mocinhos contra vilões. Como era um mata-mata pelas quartas de final, começo pelo primeiro jogo, só pra dar o contexto da tal partida.

O caos
No dia 26 de julho, no chamado jogo de ida, em Porto Alegre, o Grêmio ganhou do Palmeiras por 5 x 0. O ponto é que além da maneira argentina de jogar do time gaúcho, a arbitragem não ajudou. Catimba o jogo todo, deslealdade. Dinho, do Grêmio, agrediu Válber pelas costas. Danrlei, goleiro dos gaúchos também agrediu jogadores alviverdes. Uma confusão genralizada começou aos 26 minutos do primeiro tempo quando, até então, o jogo estava 0 x 0. O técnico do Verdão, Carlos Alberto Silva foi ousado, mas pagou caro por isso. Mesmo em inferioridade numérica, na casa do adversário e contra um clima absolutamente hostil, trocou defensores por atacantes, tentando reverter o placar, que só se ampliava. Enfim, o caos.

A volta. Inesquecível!
Uma semana depois, em 02 de agosto, no Parque Antárctica, a tarefa do Palmeiras era ingrata. Tinha que vencer por cinco gols de diferença pra provocar os pênaltis. Me lembro de que assistiria a partida em casa, com meu pai, corintiano, como já mencionei por aqui algumas vezes. A tiração de sarro começou cedo e eu não tinha muito o que falar, mas aconteceu algo de que não me esqueço. O volante do Palmeiras, o argentino Mancuso, que na última Copa foi assistente do Maradona na seleção argentina, subiu ao gramado antes do aquecimento e com o braço levantado e o punho cerrado andou ao redor do campo, criando uma conexão com a torcida presente. O time ia entrar com a faca entre os dentes; com sangue nos olhos.

Com oito minutos de jogo, o que era difícil piorou. Na jogada mais manjada do Grêmio e dos times do Felipão, Arce cobrou falta da lateral e Jardel abriu o placar. As piadas e provocações só aumentavam. Ainda no primeiro tempo o Palmeiras virou o jogo para 2 x 1. Nos dois gols eu continuei quieto, sem esboçar nenhum otimismo. No entanto, no segundo tempo, aos 13 minutos, Paulo Isidoro fez 3 x 1 para o Palmeiras e… eu apenas me arrumei no meu lugar. Me ajeitei na cadeira, um pouco mais animado, mas ainda tranquilo. Aos 24, o próprio Mancuso fez o quarto gol e nesse momento eu me animei de verdade. Passei a “orientar” os jogadores e a “conversar” com a televisão. Quando Cafu fez o quinto gol palmeirense, aos 39 do segundo tempo, eu já assistia ao jogo em pé, gritava, xingava o juiz e os adversários…

Meu time era valente. Faltava um para irmos para os pênaltis. Pressão total quando, aos quase 46 minutos, Mancuso recebe a bola de frente pro gol. Ele está longe, muitos metros fora da área; era a hora da virada. Ele apontou, bateu e… a bola passou muito perto das traves, mas foi pra fora. Final de jogo. Palmeiras eliminado, mas eram todos heróis.

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