Para quem não gosta de futebol

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Você pode não gostar de futebol. Tem gente que acha que é violento, apesar de muito mais gente ter morrido em nome das religiões do que por sua causa.

Você pode não gostar de futebol. Achar que é o circo que complementa o ”pão”, para nos anestesiar dos problemas reais do mundo. Ainda assim, alguém poderia dizer que o espírito crítico está muito mais ligado a falta de uma educação de qualidade e argumentar que mesmo em países desenvolvidos esse esporte é muito admirado.

Você pode não gostar de futebol. Talvez o fanatismo te incomode. A mim também; fanáticos por Beatles, por Getúlio Vargas, por Star Wars, por musculação, por Prozac, por cigarros, por Lost ou por qualquer outra coisa são mesmo muito chatos. Pensando bem, não é de futebol que você não gosta, mas do fanatismo.

Você pode não gostar de futebol e dizer que é por ser um meio cheio de corrupção, panelinhas e gente querendo levar vantagens em tudo. Hum… exatamente como em todos os outros segmentos e atividades do ser humano, não?! A culpa não é exatamente do futebol.

Você pode não gostar de futebol. “São 22 homens correndo atrás de uma bola”. E também pode achar bobagem ir a um restaurante comer algo que você mesmo poderia ter feito em casa ou tomar banho todos os dias, já que sempre vai se sujar novamente. Uma visão utilitária da vida não ajuda muito.

Recentemente, a entidade que deveria gerir e zelar pelo futebol em nosso país utilizou os seguintes argumentos em sua defesa, como parte do processo do caso da Máfia do Apito:

CBF: “o futebol não tem interesse social relevante”;
Futebol-Arte: Será que já ouviram falar em patrimônio cultural? Nosso futebol abre portas no mundo todo e contribui como nada mais nesse país para a contrução da imagem de um povo alegre, ordeiro e capaz;

CBF: “o futebol contribui para a desinformação do povo, já de si mal aparelhado intelectualmente”.
Futebol-Arte: É pelo futebol (que não tem essa obrigação) que muitos brasileiros conhecem parte da história de nosso país, um pouco de geografia, algo de crônica e poesia e adquire muitos outros saberes. Agora, “mal aparelhado intelectualmente” é a mãe! O cara que escreveu esses argumentos baba na gravata e ainda quer que acreditemos nessas bobagens?

Você pode não gostar de futebol. Mas nesse caso, faça um favor, não se candidate a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Na foto de Sérgio Lima (Folhapress), o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, (simbolicamente) olha para o lado errado…

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Ricardo Roca
Formado em Comunicação Social e pós-graduado em Administração de Empresas, ambos os cursos pela ESPM, atualmente cursando mestrado em Linguística. Professor universitário, sócio da Roda Fiandeira, consultor nas áreas de comunicação e marketing e apaixonado por futebol e arte.

1 COMENTÁRIO

  1. Ricardo, adorei este post.
    Para quem não gosta de futebol poder pensar o que realmente lhe incomoda e por outro lado qual o sentido que o “jogo”, o prazer tem na vida humana. Realmente o que a gente não quer é obscurantismo em qualuqer área. Pena que aquela que não gosta de futebol provavelmente não lerá seu post.
    Um abraço

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