Carta ao Mano

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São Paulo, 26 de janeiro de 2011

Caro Mano,

Inicialmente quero reforçar os parabéns pelo início promissor. Depois do time que levamos à África, as primeiras exibições da seleção tem sido um alento. Quero aproveitar o momento para chamar a atenção para um ponto interessante. Você talvez não tenha sido o único que não reparou em uma coincidência interessante a respeito dos nossos craques, os apelidos com quatro letras.

Não são quatro letras quaisquer; são quatro letras que seguem uma combinação específica. Duas sílabas bem demarcadas, sempre com a sequência consoante-vogal-consoante-vogal.

Exemplos não nos faltam. Comecemos pelo maior de todos, Pe-lé. No final dos anos 70 e ao longo dos anos 80, Zi-co reinou absoluto, com seu coadjuvante Ti-ta. Antes dele, o maior craque do Flamengo foi Di-da. No começo dos anos 90, quem deu o primeiro título ao Corinthians? Ne-to; assim como o maior ídolo do São Paulo e comandante das maiores conquistas das décadas de 90 e anos 2000 foi (Rogério) Ce-ni. Falamos no tricolor e lembramos de quem? Pi-ta, Ka-ká e Mestre Te-lê.

Antes de Pelé, quem mandava no futebol brasileiro? Di-di. Ambos tinham como companheiro um gênio da raça, que, equivocadamente chamavam de Garrincha, mas cujo sucesso se deve a seu “nome-apelido”, Ma-né. E por aí vai, o maior craque do Bahia, Bo-bô; alguns dos nossos campeões do mundo, Va-vá e Zi-to; o artilheiro dos gols bonitos, Do-dô. O parceiro de Ademir da Guia, Du-du; o maior craque da história da Ponte Preta, Di-cá. E não pense que é só no Brasil não, Xa-vi, Ko-pa, Ri-va, De-co… estão aí pra comprovar a teoria.

Claro que há craques com nomes/apelidos com outra formação, mas repare que dificilmente alguém com as tais quatro letras não é craque. Você mesmo, Ma-no, não era um craque em campo, mas tem se mostrado um fora das quatro linhas. Enfim, te escrevo tudo isso porque de repente, pode surgir alguma inspiração para sua próxima convocação. Nem que seja para o time de veteranos.

um forte abraço,
Ro-ca

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Ricardo Roca
Formado em Comunicação Social e pós-graduado em Administração de Empresas, ambos os cursos pela ESPM, atualmente cursando mestrado em Linguística. Professor universitário, sócio da Roda Fiandeira, consultor nas áreas de comunicação e marketing e apaixonado por futebol e arte.

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