Veneno Remédio

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Adoro esse trecho de um texto que conheci com o livro Veneno Remédio, de José Miguel Wisnik, que faz um estudo do futebol brasileiro do ponto de vista de dentro e de fora das quatro linhas.

“A primeira motivação para encarar o assunto me veio dos esboços quase brincalhões de uma teoria do futebol, escritos pelo ensaísta-cineasta Pier Paolo Pasolini, que um amigo – Michel Lahud – me mostrou no início dos anos 80. Pasolini dizia que futebol é uma linguagem, e comparava jogadores italianos com escritores seus contemporâneos, vendo analogias entre os estilos e as atitudes inerentes aos seus ‘discursos’. Mais do que isso, falava, escrevendo em 1971, de um futebol jogado em prosa, predominantemente na Europa, e de um futebol jogado como poesia, referindo-se ao futebol sul-americano, e, em particular, ao brasileiro. Essas idéias, que se tornaram mais conhecidas recentemente, foram muitas vezes banalizadas e reduzidas à superfície, sem que se atentasse para o alcance inédito das suas sugestões”.