Santo por Ofício

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Sempre me lembro de quando era menino e ia jogar futebol; fosse na rua, na quadra, no campo, a principal preocupação da maioria era saber quem ia ser o goleiro. Ninguém queria assumir essa tarefa. Bem, nem tanto, vamos dizer que a maioria não queria. Alguns, sabe-se lá o motivo, se dedicavam especialmente a tarefa de impedir gols. Claro que o motivo do espanto não é ideológico, mas prático mesmo. Uma bolada no rosto, no estômago ou em outras partes do corpo era sempre uma ameaça assustadora, pra ficarmos em apenas um argumento.

Dizem as más línguas que os fazem essa opção, em geral, são os que têm menos habilidades com os pés e não encontram outra alternativa. Acredito que em alguns casos seja isso mesmo, mas duvido que seja a maioria. O difícil era um mesmo sujeito ter todas as características necessárias para a função: agilidade, elasticidade, velocidade, reflexo, liderança, senso de colocação, coragem…

Meu tio Miguel e meu primo Alex, que atualmente moram em Barcelona (que privilégio, que saudades!), já chegavam na quadra paramentados, com luvas, joelheiras e disposição para agarrar as “bombas”. Em minha infância e adolescência os destaques eram Leão, Dasayev (URSS), Fillol (Argentina), Dino Zoff (Itália), Zubizarreta (Espanha) e Preud´ Homme (Bélgica) entre muitos outros bons goleiros. Algum tempo depois, já na juventude, os destaques eram Taffarel, Rodolfo Rodrigues (autor da seqüência de defesas mais bonitas que já vi), Higuita, Chilavert (que se destacavam mais por suas performances que pelas defesas) e vários outros.

Tudo isso para dizer que hoje é aniversário de São Marcos, do Palmeiras, o melhor goleiro que vi jogar. Além de fantástico sob as traves e excelente pegador de pênaltis, é carismático e, raridade, ídolo até mesmo entre os torcedores dos outros times.

Parabéns!

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