Hoje não tem futebol…

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Hoje é domingo e não tem futebol. Não tem passe, drible, lançamento e chute; não tem lateral, escanteio, tiro de meta, falta e pênalti; não tem vaia, palmas, polêmica, xingamentos e mãe do juiz; não tem hino, uniforme, radinho, mesa redonda e melhores momentos… Hoje é domingo e tem muita tristeza.

Felizmente tem também muita solidariedade e esperança.

No Brasil, desde muito pequenos, meninos e meninas começam a jogar futebol e a torcer por algum time. Jogam nas ruas, nas praias, nos clubes, nas escolas, nos campinhos de várzea e quadras improvisadas; jogam sempre com os mesmos colegas contra os mesmos adversários, algo como “o time da rua” contra “o time da rua de cima”, ou montam os times ali na hora, depois do par ou ímpar entre os líderes. Algumas vezes tem até “time de fora”, “dois gols ou 10 minutos”, “saída à Bangu”, meio gol, revezamento de goleiros.

Nesse processo aprendem. Aprendem a atuar em equipe, aprendem a respeitar as regras do jogo e aprendem que só vence quem se esforça, mas o que de mais importante o futebol ensina é a perder. São vários jogos num mesmo dia, em vários dias da semana, em várias semanas do mês, ao longo de todo o ano, por vários anos. Você vai vencer, mas vai perder muito também. Vai ser obrigado a entender que perder “é da vida”, que deve melhorar suas habilidades e se esforçar “o dobro” para vencer mais do que perder.
ChapecoenseMenino
Foto do “garoto solitário”, de Nelson Almeida, da Agência France Press

Há ainda um outro aprendizado, já mencionado por aqui neste blog, o de que futebol é “quarta e domingo”. Claro que no mundo moderno tem jogo todos os dias, mas quarta e domingo ainda são os dias “nobres” da bola. Quantas decepções não sofremos numa partida, desclassificação, goleada, perder para o principal rival. Tudo parece que não tem mais solução, até que vem um novo jogo e vencemos. Pode demorar mais tempo, mas a esperança nos move, porque no futebol tudo é possível.

Também já dito por aqui, o futebol é metáfora da vida. E o acidente com o vôo da Chapecoense que disputaria a final da Copa Sul-Americana é uma dessas tragédias inexplicáveis como um resultado estranho. 71 vítimas fatais, o 7 a 1 da vida a nos esfregar na cara que a vida é um sopro.
CondaPaz
Nunca há um lado positivo em uma tragédia, especialmente em uma dessas proporções, mas a quantidade de manifestações de solidariedade mundo afora também serve como exemplo. Tocantes, simbólicas ou com efeitos práticos, nos mostram que na vida também tudo é possível, que um pouco de paz e união, valores tão caros a Condá, só iriam ajudar.

Hoje é domingo e não tem futebol.

Ricardo Roca

#forcachape

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