Cruyff, o craque tático

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Jamais deixarei de dizer que Pelé, Garrincha e Maradona foram os melhores jogadores que vi em campo. Foram malabaristas com a bola nos pés. Verdadeiros artistas da bola. Fizeram aquilo que eu chamo de mágica do futebol… Mas avessos à planejamento tático.

Cultura de sul-americanos. Achamos que nossa magia supera qualquer teoria. E Cruyff veio para desfazer tudo isso. Por que o craque não pode ser obediente taticamente? Onde se pode afirmar que técnico não ganha jogo? E Cruyff não seria Cruyyf se não existisse Rinus Michels. O grande comandante da Seleção Holandesa de 1974, a Laranja Mecânica, em alusão ao filme do diretor holandês Stanley Kubrick. O Carrossel Holandês. Mas… Rinus e o Carrossel não existiriam se não fosse Cruyff. Revolucionário, tático, ofensivo, coletivo, vistoso e eficiente. Isso era Cruyff. Quando, em qualquer time que se formasse, mesmo na pelada, o craque do time usava a camisa 10; mas Cruyff usava a número 14. Até na parte psicológica o Carrossel e Cruyff foram revolucionários.
JohanCruyjf
Ao lado de, Krol, Van Hanegem, Rep, Rensenbrink e, principalmente, Neeskens, brindou o mundo na Copa de 1974 com uma mistura da mais pura técnica com uma obediência tática impressionante. Não foi campeão porque a Alemanha, de Beckenbauer, Muller e Breitner, era igualmente fantástica. O idiota, que consideram o melhor técnico da história, Zagallo dizia às vésperas do jogo contra a Holanda que não conhecia o “Crush”, referência ao refrigerante de laranja da época. E o Crush deu um banho de bola contra o Brasil naquele jogo da Copa de 74. Também levou o time do Ajax ao topo do mundo. Uma máquina de jogar bola. Fez o mesmo com o Barcelona. Jogou infinitamente mais que Zidane ou Platini. E, volto a dizer, sempre obediente taticamente. Imaginem, hoje, o Messi marcando o lateral adversário… assim era Cruyff. Jogava demais, mas obedecia o que o técnico determinava. Não se considerava o astro, aquele acima de tudo. Assim era Cruyff. Esse foi o seu legado.

Talvez se a Seleção Brasileira de 1982 tivesse a obediência tática de Cruyff seria campeã na Espanha.

Afirmo, com toda a segurança, que foi o maior jogador da história que aliou a técnica à tática. O mundo do futebol está triste pela ausência de Cruyff.

Sergio Macedo, 53 anos, casado, praticante de corrida, carioca, vascaíno, portelense, formado em Administração de Empresas e Análise de Sistemas pela Faculdades Nuno Lisboa, RJ. Apaixonado por futebol e samba. Autodidata em Jornalismo Esportivo. Sendo discípulo de João Saldanha, Luiz Mendes e Sandro Moreyra. Não fiz Faculdade de Jornalismo, porque essa seria feita durante o período de ditadura militar e meus pais temiam que a total aversão aos militares que sempre tive causasse problemas.

Os textos e charges publicados na categoria CONVIDADOS, apresentam e refletem a opinião dos mesmos, não necessariamente alinhando-se com a do Blog Futebol-Arte. Sua publicação tem o propósito de apresentar diferentes pontos de vista e estimular reflexões e debates.

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Ricardo Roca
Formado em Comunicação Social e pós-graduado em Administração de Empresas, ambos os cursos pela ESPM, atualmente cursando mestrado em Linguística. Professor universitário, sócio da Roda Fiandeira, consultor nas áreas de comunicação e marketing e apaixonado por futebol e arte.