O 2014 que este texto queria ter sido – Por João Gabriel

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Queria ser campeão,
Um gol, menos sete,
Com choro, sem vela.

Saudades do futebol.
Veio da Europa, aqui ficou.
Foi embora.

Era para pelo menos mudar.
Dois mil e quatorze eu queria ser feliz,
Ter gol, drible e festa pra contar.

Tenho Copa, delas a maior,
Mas não cabe nela o vexame,
Casa que desaba de dentro para fora.

Um quase sem sentido de atitudes sem esperança,
De mortes que não deviam ter sido,
Uma quase marcha fúnebre do futebol brasileiro.

Deixaram-nos sem Suassuna, Coutinho, Di Stéfano e Eusébio;
Sem Garcia Márquez, Bellini, Chaves e Luciano do Valle;
Sem prosa, sem poesia; sem drible nem futebol.

O texto chora,
Também é bravo.
No fim, quase não acredita.

Porque já passa tempo,
Copa para trás, Olimpíadas em frente,
Vexame, mais um!?

Sete a um, sete a um, sete a um…
Números que torturam a memória,
A história que eu nunca quis ter que contar.

Explicar, daqui vinte trinta anos,
Para um pequeno projeto de Pelé ou Marta,
Que diabos foi que aconteceu!?

Este texto só queria entender 2014.

João Gabriel, 18 anos, passou em Jornalismo de primeira e em Letras com emoção. Escreve sobre futebol e esportes em seu blog O Bololô (http://obololo.wordpress.com), desde 2012. Em 2014 passou a fechar meses em Futebol-Arte.

Os textos e charges publicados na categoria CONVIDADOS, apresentam e refletem a opinião dos mesmos, não necessariamente alinhando-se com a do Blog Futebol-Arte. Sua publicação tem o propósito de apresentar diferentes pontos de vista e estimular reflexões e debates.