Retomada – Por João Gabriel

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Começa tudo novamente!

Depois de um longo período de ressaca pós Copa, as coisas começam a voltar ao normal, eu volto a escrever no Futebol Arte todo fim do mês, os campeonatos europeus dão seu ponta pé inicial e nosso Brasileirão continua suas caneladas.

A volta de nosso campeonato nacional só evidencia a disparidade cada vez maior entre o futebol jogado no velho continente e aqui. Ainda mais após a sensacional Copa que tivemos, dói no coração assistir a série A do Brasileiro. Clubes centenários beirando o terceiro rebaixemto em 12 anos, gigante carioca com dificuldades até na série B, tradicionais clubes do interior desaparecendo a todo momento. O panorama geral é aterrorizante e o resultado não poderia ser outro que não a baixa qualidade do futebol apresentado nos gramados.

Da formação até a seleção o problema do futebol brasileiro é geral e não existe forma de solucioná-lo sem reformá-lo. E para tal apenas tudo precisa mudar, desde a CBF até as diretorias dos clubes menores, passando pelo fim desta cartolagem e por uma melhor administração financeira da pelota brasileira. Movimentos como o Bom Senso dão alguma esperança, ainda mais quando articulados ao governo federal, mas não são capazes de reformular, por exemplo, a CBF que é dos males o pior. Enquanto quem manda no futebol brasileiro não entender que jogador não brota do nada, que estamos formando garotos da maneira errada e que o 7 x 1 é reflexo de toda essa estrutura auto destrutiva e falida, não haverá mudança significativa.

A seleção ainda tem craques. Ganso vive sua melhor fase desde 2010 e é um jogador diferente de tudo que temos no mundo hoje. Ele e Neymar definem bem o que é o futebol brasileiro, porque sempre fomos diferentes. Estes dois são jogadores completamente fora dos padrões, cada um da sua maneira, mas que juntos sintetizam o futebol arte que nós mesmo criamos em tempos passados. Já escrevi isso antes mas insisto: não esquecemos como jogar bola, apenas precisamos administrar o futebol para possibilitar o jogo. Precisamos cuidar desde o gramado até o holofote do estádio, cuidar da formação de jogadores voltados para jogar o futebol brasileiro, precisamos retomar a ideia de escola de futebol não no sentido de pequenos clubes caros onde só alguns tem a chance de se apresentar, mas no sentido de criar uma filosofia de jogo. Os terrões não podem sumir, pelo contrário, quanto mais campos melhor. Um olheiro não pode ser ofuscado por um empresário, ele não pode só ir buscando nas escolinhas particulares, nossos craques quase nunca vieram delas. E para que tudo isso seja possível, toda a estrutura administrativa do futebol tem que mudar, futebol é coisa séria!

Mas parece que ninguém tem interesse em retomar a arte de jogar bola, muito menos Dunga, Gilmar e a CBF. Sendo assim a expectativa para os próximos anos é a mesma: seremos ainda capazes de um ou dois artistas, um ou dois craques, mais uma meia dúzia de jogadores de boa qualidade, mas sempre com um campeonato nacional medíocre ou pior, uma estrutura falida e uma formação que não busca melhorar em nada o futebol brasileiro.

Tendo isso em mente a única coisa que penso é: que saudade da Copa do Mundo, que saudade. Que saudade do futebol brasileiro, do drible, do lance genial, que saudade da arte que um dia foi jogar futebol.

João Gabriel, 18 anos, passou em Jornalismo de primeira e em Letras com emoção. Escreve sobre futebol e esportes em seu blog O Bololô (http://obololo.wordpress.com), desde 2012. Em 2014 passou a fechar meses em Futebol-Arte.

Os textos e charges publicados na categoria CONVIDADOS, apresentam e refletem a opinião dos mesmos, não necessariamente alinhando-se com a do Blog Futebol-Arte. Sua publicação tem o propósito de apresentar diferentes pontos de vista e estimular reflexões e debates.