Futebol-Arte do Oiapoque ao Chuí

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“Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia, futebol se joga na rua, futebol se joga na alma”.

Carlos Drummond de Andrade.

Futebol-Arte do Oiapoque ao Chuí, título do livro de arte que a Grão Editora lança este mês, reúne imagens de peladas captadas pelo fotógrafo Caio Vilela nos 27 Estados do Brasil: suas capitais, seus cartões-postais e seus rincões distantes e pouco conhecidos. O livro, que tem texto de Eduardo Petta e prefácio do ex-jogador Zico, apresenta um rico mosaico do futebol de rua, a pelada – uma arte popular e desregrada –, e a beleza de cada jogo, jogador ou jogada. Faz ainda um recorte humano do esporte, em que convivem a emoção de estar junto, o entusiasmo da vitória e, por vezes, a solidão do campo vazio e da bola furada.

“O Caio corre atrás da bola há quase uma década. Fotografou peladas em mais de oitenta países, dos desertos árabes ao Himalaia, das savanas africanas à península ibérica, passando pela Antártica e outras paragens remotas do planeta. Mas registrar as peladas de seu país tem gostinho de “jogar em casa” para este fotógrafo que, incansavelmente cruzou o Brasil de norte a sul com o foco nesta que é uma das mais genuínas demonstrações da alegria e da ginga brasileiras”, afirma a também fotógrafa e editora da Grão, Maristela Colucci.

Segundo o fotógrafo, o que mais o encanta no conjunto de imagens produzidas é o fato de a obra registrar momentos singulares, dourados para a infância ou juventude de algum talento não reconhecido. “As imagens deste livro foram reunidas durante nove meses em busca desse fenômeno diário, porém efêmero, diretamente ligado ao brilho nos olhos do brasileiro. Nesse período, rodei o Brasil em busca dos campinhos e de seus craques. A viagem revelou-se um prazer, uma aventura repleta de descobertas e rendeu uma coleção de momentos memoráveis”, explica Caio. Foram oito incursões pelo interior do País, vendo a bola rolar nos 27 Estados, diante de paisagens e monumentos simbólicos de cada um deles ou em locais remotos e difíceis de reconhecer.

No prefácio da obra, Zico diz que falar de peladas é falar de sua própria história, pois graças a elas é que chegou até onde chegou. “A pelada é tudo na vida de um jogador de futebol. Ela te dá reflexos, liberdade de criação, te ensina a inovar, a abrir espaços, a se localizar entre os jogadores, a fazer gols. Nada como uma boa pelada para alegrar nossas vidas”, diz. Para o craque é exatamente esta alegria que transborda das páginas do livro de Caio Vilela. “Percorrendo suas imagens, me senti viajando pelo Brasil. Quando estou na estrada, assim como ele, sempre que tem uma criançada num campinho, não resisto em dar uma espiada e descobrir quem é o craque, o futuro camisa 10.

Tão poético quanto as imagens de Caio Vilella é o texto de Eduardo Petta, que conta um pouco da história do futebol do Brasil – uma paixão que começou no início da década de 1880, antes do fim da escravidão, quando os padres jesuítas e vicentinos trouxeram da Europa as primeiras bolas de capotão. Mas o futebol só chegou ao país mesmo em 1894, com o paulistano Charles Miller, que voltou da Inglaterra com duas bolas, um livro de regras e uniformes nas mãos – e passou a difundir o esporte bretão.

Mais do que um livro, Futebol-Arte do Oiapoque ao Chuí, é a celebração de um esporte que se tornou a grande paixão do brasileiro, que se renova dia a dia, a cada jogada, em cada campinho de norte a sul do país, com crianças, jovens, adultos e idosos. O brasileiro nunca se cansa do futebol. Esta é a sua arte.

Fonte: Grão Editora

Lançamento do livro Futebol-Arte do Oiapoque ao Chuí
27/06, às 18h30.
Livraria Cultura – Conjunto Nacional – Av. Paulista, 2073 – Bela Vista – São Paulo – SP