Hoje tem marmelada?

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“- Hoje tem marmelada?
– Tem sim, senhor!
– Hoje tem goiabada?
– Tem sim, senhor!
– E o palhaço, o que é?
– É ladrão de mulher!!!”

Era assim que começava um programa infantil do final da década de 70, começo dos anos 80. Não me lembro se era o palhaço Arrelia ou o Piolin que comandava a atração. Hoje em dia o circo é outro. O Campeonato Brasileiro e a mídia tomaram conta do picadeiro.

O pobre marmelo é que ficou com a fama, mas o termo marmelada ganhou essa conotação porque as fábricas de conservas, antigamente (?!), acrescentavam chuchu ao doce para dar liga. Talvez já estivessem prevendo ou programando a “liga” dos campeões. Gilberto Gil já tinha cantado a bola com sua inesquecível O Sítio do Pica-Pau Amarelo, quando dizia “Marmelada de banana – Bananada de goiaba – Goiabada de marmelo…”

Em tempos de “jogo de equipe” da Ferrari e o melhor time de vôlei do mundo, o Brasil, com o melhor técnico do mundo, Bernardinho, facilitando as coisas para o adversário pra pegar a chave mais fácil, a confusão impera e é até difícil dar alguma opinião, tantas são as possibilidades de abordagem e os aspectos envolvidos. Pra organizar um pouco, um ponto que deveria ser indiscutível: esportista tem que entrar em campo (quadra, pista, piscina etc.) pra ganhar, seja lá qual for a circunstância e o contexto da competição. A partir daí, podemos discutir fórmulas de disputa, vontade da torcida, que é passional mesmo, rivalidade, incompetência, erros de arbitragem e tudo mais.

A imprensa, teoricamente, faz jornalismo. Jornalista, teoricamente, trabalha com fatos. Alguns times, teoricamente, teriam entregue os jogos para alguns adversários para prejudicar os rivais. Como diz meu amigo Adriano Batista: Seráááá? Impossível afirmar A ou B sem informações. Palmeiras e São Paulo teriam perdido para o Fluminense pra prejudicar o Corinthians, devolvendo o que supostamente o alvinegro teria feito com ambos ao perder para o Flamengo no ano passado. O Vasco teria perdido para o Corinthians para prejudicar o Fluminense. São vários os vínculos e vinganças, e vem de longe.

Mas, pense um instante. Na rodada seguinte a que teria entregue o jogo para o líder do campeonato, o São Paulo empatou com o Atlético-GO, que luta pra escapar do rebaixamento. Será que tinha algum interesse em entregar esse jogo também? O Palmeiras, na mesma semana, perdeu no Pacaembu lotado para o Goiás, esse sim já rebaixado, uma partida que valia vaga em final de torneio internacional. Entregou também ou o time tem limitações? Estamos falando de partidas em que os times em questão não entram com sangue nos olhos e a faca entre os dentes. Ao contrário, entram sem nenhum motivo extra para colocar o pé em uma dividida, ainda que, como já foi dito, todo e qualquer esportista tenha que entrar sempre pra ganhar.

Por incrível que pareça os únicos honestos nessa história foram os torcedores, que não esconderam suas preferências, ainda que não fossem as mais “esportivamente corretas”. Não posso afirmar, mas posso lamentar muito que o esporte perca um pouco do seu brilho, que queiram diminuir a conquista de A ou B.

Seja lá quem for o campeão esta tarde, Parabéns!

O tema desse post foi sugerido pelo tricolor e, apesar disso, meu amigo, Rubinho.

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Ricardo Roca
Formado em Comunicação Social e pós-graduado em Administração de Empresas, ambos os cursos pela ESPM, atualmente cursando mestrado em Linguística. Professor universitário, sócio da Roda Fiandeira, consultor nas áreas de comunicação e marketing e apaixonado por futebol e arte.