Como me tornei Palmeirense – Detalhes

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São insondáveis os motivos que nos levam a escolher um time de futebol. A paixão não tem “razões”, não tem explicações. No entanto, algumas coisas certamente ajudam muito, como o time para quem torcem nossos pais, a conquista de títulos durante a nossa infância ou até mesmo algum ídolo incontestável, quando definimos nossas cores.

No meu caso, toda minha família é corintiana e, apesar de alguns títulos no começo da década de 70, não havia um domínio incontestável do Palmeiras…

…mas havia Ademir da Guia, o que já seria mais do que suficiente.

Imagens e lembranças que tenho dão outras pistas. Quem me levava à escola quando criança era o Nono (foto), avô do meu melhor amigo de infância, Renê. Como descendentes diretos de italianos, eram todos palestrinos. Eu via e ouvia os relatos e histórias contadas pelo Nono e, mesmo não me recordando de nenhuma em particular, já que era muito pequeno, lembro que sua admiração pelo Palmeiras era contagiante. Nessa idade, por volta dos seis ou sete anos, ser aceito por alguém ou um grupo é uma das coisas mais importantes de nossas vidas. É isso que eu sentia quando estava com meu amigo René, seu pai, Sérgio e o Nono. Com eles, havia uma vibração muito forte e positiva.

Falo isso e penso imediatamente em meu pai, que é corintiano. Sei que ele gostaria que eu tivesse escolhido seu time, mas foi (e é) tão democrático que não fez pressão ou chantagens emocionais. Gosta e acompanha futebol, mas talvez sem tanta empolgação.

Daquela época, em que brincava de bola, de futebol de botão, pebolim e começava a bater figurinha me lembro também que em meus primeiros lances em partidas de rua, eu me transformava em Jorge Mendonça, no futebol de botão meu goleiro era o Leão e Luis Pereira era o “meu” zagueiro raçudo e técnico que desarmava na defesa e saia jogando, se mandava para o ataque feito um maluco. Havia também outros fatores, outros incentivos para minha escolha. Na infância, os critérios não são tão lógicos e racionais. Como não se encantar por um time que tinha “Beto Fuscão” e “Alfredo Mostarda”? Não me lembro se eram bons, mas sei que adorava os nomes tão criativos.

Outra imagem que carrego desde muito cedo e que certamente teve influência em minha escolha é a de uma “foto antiga”, que nem sei se existe ou existiu, sem cores, com uma figura esguia, de rosto angular e a camisa do meu Palmeiras. Desconfio que seja a única pessoa palmeirense da família assim como eu, meu Tio Zé. Essa imagem ficou pra sempre em minhas lembranças e me fez, naturalmente, tomar o caminho certo na hora de escolher a quem dedicar meu fervor; que me perdoem os demais.

7 COMENTÁRIOS

  1. Belo texto. Realamente cada um tem suas razões. Se o meu pai não tivesse sido diretor do Santos nos tempos de Pelé & Cia, me levado nas concentrações e nos jogos, talvez eu pudesse ser palmeirense também, pois aquela Academia que vi jogar quando comecei a acompanhar futebol era de encher os olhos.
    Descobri: você me achou no blog do Torero. Certo?
    Tem post novo no Ki Bola Bola. Abraço.

  2. Ricardinho, solo ahora hemos podido ver tu block, es extraordinário, auténtico , hecho con el alma. Esta muy bien redactado. Eres el mejor.
    Tu tio que es “corintiano roxo” esta pensando en convertirse “palmeirence”.

    Un besazo especial , te amamos : Tia Tere,Tio Miguel,Primos Alex y Júlia.

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